Malcata Eco Experience

Um ano de Malcata Eco Experience

Um ano de Malcata Eco Experience

Feliz aniversário Malcata Eco Experience.

Concluímos o nosso primeiro aniversário de existência no início deste mês de julho e não poderíamos passá-lo em branco. Foi um ano de construção, de definição dos nossos serviços e procurarmos estabelecer novas metas. Desse modo, decidimos analisar a pente fino o que ocorreu entre julho de 2021 e julho de 2022.

O princípio

A Malcata Eco Experience começou a gatinhar em julho de 2021, embora enquanto empresa se tenha constituído em junho do mesmo ano e o seu plano lançado em março de 2021 (na altura o projeto tinha outro nome, com exceção de «Malcata»). Contudo, este projeto é fruto da maturação de ideias e de esboços que surgiram nos últimos quatro anos. O Stand Up Paddle esteve sempre no início do plano, assim como as visitas culturais ao concelho de Penamacor. Os banhos de floresta vieram um pouco mais tarde. Agora, faltava tempo e capital para avançar. A Malcata Eco Experience, ou algo mais vago, seria para nascer durante o primeiro semestre de 2020. Foi interrompido pela pandemia da COVID-19 e colocada numa gaveta, quando nos foi imposto para ficar em casa…e aí ficámos.

Voltando a julho de 2021, a Malcata Eco Experience surge definitivamente na qualidade de empresa que procurava dinamizar o território do concelho de Penamacor com experiências de aventura, ligadas a atividades aquáticas e circuitos culturais. Tínhamos cinco pilares: sermos um serviço «local», eco-friendly, segurança, experiências sustentáveis e pedagógicas e cultura de ética. Além disso, fomos audazes em criar produtos de nichos.

É verdade que o Stand Up Paddle está na moda, mas exclusivamente no verão, o que faz dele um serviço sazonal. Uma total falácia que se perpetua nestes territórios «longe» do mar! Os desportos aquáticos são praticados todo o ano no litoral! Instituições, mas sobretudo, as mentalidades continuam a ser barreiras para uma oferta diversificada no âmbito desportivo ou devemos manter-nos da linha do tradicional do que é o «Interior»? Querem mais razões por que motivo o litoral é mais atrativo que o interior? Aliás, estudos sugerem que as pessoas são mais ativas no litoral (numa média de todo o ano), em parte, por causa do mar. Nestes territórios não há ondas, mas há espelhos de água, por sinal, incríveis, para a prática de SUP. Na Suíça, ou na Alemanha (tirando a parte da costa a norte) também não há ondas e há escolas de Stand Up Paddle a operar durante todo o ano, portanto, cremos que é possível trazer o Paddleboarding como atividade que pode ser desenvolvida, inclusive, em âmbito escolar. Se acham que é masoquismo, é porque nunca experimentaram fazer durante o inverno… e com detalhes na paisagem muito mais interessantes que no verão.

A par disso, há inúmeros benefícios no Stand Up Paddle que já reforçamos num post anterior (ver artigo: 10 motivos para aderires ao Stand Up Paddle). Mais, não precisas de ter jeito com os pés, o futebol ou o futsal não são as únicas modalidades e o Stand Up Paddle pode ter um papel determinante na inclusão para a atividade física. Fica o desafio. Já tínhamos lançado no ano passado vários packs para aulas, em breve vamos colocar no nosso website.

A fim de reforçarmos a nossa aprendizagem e aprofundar metodologias, além da formação para instrutor de Stand Up Paddle pela ASUPP, em junho de 2020, também reforçamos com o grau de MASTER, através da IOSUP, em março deste ano. Queremos ser mais inclusivos e ter mais uma oferta para as crianças da região. Um ano passou e esse objetivo não foi atingido, mas é o nosso aniversário e estamos empenhados em que aconteça.

Esta é a experiência que é o calcanhar de Aquiles no que toca aos nossos serviços de nicho. As visitas ao património são altamente valorizadas, mas há sítios que estão claramente desvalorizados, enquanto imagem para o exterior. E Penamacor é um desses locais. A «ausência» de estruturas edificadas, como o tradicional «castelo» medieval, ou o facto de estar rodeado por «Aldeias Históricas» (com muito interesse e valor histórico e patrimonial, não estamos a comparar), relega Penamacor para uma posição subalterne. Também não queremos sobrevalorizar o território, mas Penamacor é um exemplo paradigmático dos usos de estruturas e de reutilização de materiais, a partir do momento que infraestruturas, nomeadamente militares, se tornaram obsoletos. Portanto, existe muito para ver, embora imiscuído na paisagem e com fortes lições para olhares mais atentos. O turismo militar não deveria ser considerado um nicho em Penamacor, mas, infelizmente, o ser humano sobrevaloriza e depende demasiado da visão e do que é percetível.

O mesmo ocorre face ao passado e herança judaica em Penamacor. Não são apenas «procurar» cruciformes, é importante saber a razão de lá se encontrarem. Mesmo a Casa da Memória da Medicina Sefardita – Ribeiro Sanches, continua a ser desconhecido por muitos.

Portanto, oferecemos mais um serviço de nicho que não tem, de todo, vingado porque é demasiado especializado. Faz lembrar quando estamos à procura de trabalho e andamos a distribuir currículos e, ocasionalmente, recebemos uma resposta de que «o nosso currículo é demasiado bom». A qualidade paga-se, mas a cultura é claramente penalizada por isso. Podemos falar em lendas, mas em dez lendas, apenas uma é relativamente original (okay, estamos a pecar por generalizar), as outras ouvem-se em outros territórios de forma muito semelhante ou com algumas variações.

Continuamos a achar que este é o caminho para um conhecimento mais rigoroso do nosso passado, em que levantamos questões e nem sempre com respostas categóricas (porque não há fontes que sustentam). Ou talvez, nós não consigamos perceber o que procura quem vem visitar o território. Em todo o caso, esta é uma praia que é nossa e que, infelizmente, será, aparentemente, pouco cativante.

Este é a nossa experiência-chave, mas ainda muito pouco divulgada e conhecida em território nacional. Portugal continua na cauda da Europa no que toca a ver a floresta na qualidade terapêutica… mas, por enquanto, continua a ser domínio das empresas de celulose. Se no início os nossos banhos de floresta começaram por ser uma experiência intuitiva de ligação à natureza, gradualmente fomos aplicando metodologia e a obter ferramentas através da formação. A vantagem de termos aventurado nesta área, em torno de uma limitada, mas muito completa, bibliografia, foi que podemos dar um toque pessoal com a implementação de algumas experiências de enraizamento e de perceção sensorial e que tem tido resultados interessantíssimos. Ou seja, foi algo que fomos implementando intuitivamente, com o simples conceito que «a natureza promove a criatividade» e, com efeito, as pessoas têm-se mostrado mais criativas do que imaginavam e temos tido orgulho nisso e com feedback – alguns públicos, outros por questionários internos, bastante positivos.

Com as ferramentas que temos vindo a adquirir, também temos vindo a requintar esta conexão à natureza, a sermos audazes com experiências noturnas – com a que decorreu na mata municipal de Penamacor, de forma a promover o bem-estar do/a praticante. Este será a experiência que nos levará a passar a fronteira, já atestada com empresários espanhóis. Além disso, pode ser praticada todo o ano.

Em suma, passou um ano, e conseguimos levar algumas pessoas a navegar na floresta, algumas das vezes, juntos dos nossos parceiros. No nosso aniversário, o saldo é positivo e queremos levar até mais gente.

Mas se os primeiros seis meses de vida foram em torno da promoção nas redes sociais, o início de 2022 sofreu fortes mudanças. Entrámos como empresa candidata a parceira, na Carta Europeia de Turismo Sustentável – Terras do Lince, ou a nossa ligação à iNature e à Rede Côa Selvagem. Estas são plataformas importantíssimas na divulgação do território, na valorização dos recursos endógenos, das paisagens naturais e no estabelecimento de redes com as empresas a remar no mesmo sentido. Dentro do mesmo ramo, a APTS assume uma lógica de valorização da construção de um turismo mais sustentável.

Por outro lado, estabelecemos parcerias com outros/as empresários/as no setor turístico que em muito tem contribuído para a nossa visibilidade no território e a quem estamos agradecidos pela divulgação das nossas experiências.

Em suma…

Após um ano retiramos várias ilações. Conseguimos chegar a este marco, mas nada nos garante que possamos sobreviver mais um ano, por diversos motivos, não só externos, mas, em especial, internos. Podemos sobreviver 5 ou 10 anos, ou podemos fechar atividade já amanhã. Estatisticamente são poucas as empresas que sobrevivem aos primeiros dois ou três anos de vida. Parece-vos um discurso de derrota? Não o é. Na verdade, estamos com os pés bem assentes na terra. A Malcata Eco Experience tem permitido fazer o que mais gostamos que são as experiências que oferecemos. Se um dia a Malcata Eco Experience encerrar, fica a experiência e a vontade de demonstrarmos que o nosso modelo era efetivamente Eco-friendly, sustentável, centrado no ecocentrismo e na biofilia.

Já agora, fiquei atentos ao nosso instagram, temos um sorteio para logo à noite, desta vez para celebrar o dia internacional de Blue Mind, no próximo dia 23 de julho.

2 thoughts on “Um ano de Malcata Eco Experience

  1. Tudo explicado, sem dúvida que é uma mais valia para o concelho. É tendo já experimentado paddle e banhos de floresta, foi tudo muito bom e com muito profissionalismo. Espero é desejo o melhor sucesso.

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