Banho de floresta, à luz da lua e das estrelas

Banho de floresta noturno. Sobra das árvores debaixo de um céu estrelado e a sombra de um homem a olhar para cima

Banho de floresta

A expressão «banho de floresta» (do japonês, shinrin yoku) poderá ser algo que eventualmente já ouviste falar…ou não. Na verdade, há poucas pessoas que sabem o que é e muitas que desconhecem do que se trata, mas é algo que desperta – garantidamente – a curiosidade.

Atualmente, os banhos de floresta ganharam escala face aos estudos que têm vindo a ser desenvolvidos há mais de 40 anos, não só por autores japoneses, mas também de outras geografias e latitudes. A própria medicina «convencional» está cada vez mais convencida das potencialidades desta prática (agora, resta vencer alguns lóbis). Com efeito, o banho de floresta permite ao praticante enraizar-se no presente, tomar pulso ao seu ritmo natural e beneficiar da qualidade do ambiente florestal.

Nós reconhecemos a vantagem desta experiência e os nossos clientes também, com feedback positivo de quem experimentou connosco (cf. críticas). Mas sobre os banhos de floresta – em si – falaremos noutra ocasião.

Um banho de floresta à luz da lua e das estrelas

A Malcata Eco Experience fez a primeira experiência de banho de floresta em ambiente noturno. Havia vários desafios: maior atividade de animais selvagens; limitações visuais para nos apercebermos de eventuais riscos físicos e ambientais, entre outros riscos menores. Mesmo assim arriscámos!

Fizemos a experiência para um grupo muito restrito de pessoas. Optámos por manter o número limitado de participantes nesta atividade «extraordinária» para garantirmos a qualidade da nossa experiência. O banho de floresta pode ser praticado por um grupo grande de indivíduos, mas nós sabemos que há experiências que devem ser vividas exclusivamente por nós ou partilhadas com quem nos conhece. É uma viagem através dos sentidos e das emoções que se associação a cada passo que damos e em que penetramos num ambiente que não nos é familiar. Agora, imaginem à noite, saindo da nossa zona de conforto…o efeito é claramente mais intenso.

E a lua?

O problema com o qual lidamos foi ainda antes do ponto de partida, ou seja, a ausência de lua parcialmente cheia (ainda que estivesse a minguar). Esta experiência noturna serviu, em especial, como percecionar a floresta através dos sentidos, com limitação à perceção visual. Lançamos o desafio inicial de mantermos as lanternas desligadas (e conseguimos!!). Já sabíamos que não estaria tudo oculto e que conseguiríamos distinguir diferentes tipos de tons mais escuros e outras sobras, mas não imaginávamos que conseguíssemos «ver». 

O que parecia um desafio foi superado à medida que caminhávamos e conseguíamos ver o que estava à nossa volta. Existem algumas explicações para o fenómeno: a) a mata municipal de Penamacor, não é um ambiente florestal serrado; b) a poluição luminosa à nossa volta permitia que a luz residual «iluminasse» o ambiente. E por fim, mas não menos importante, o facto de não nos ofuscarmos com luz artificial, em especial, dos nossos telemóveis. Aliás, em uma atividade em que acedemos os nossos focos de luz temporariamente, quando desligámos, ficámos «sem ver» durante um tempo. Mas gradualmente a visão foi-se adaptando novamente à escuridão.

Esta pequena lição demonstrou que o estar «colado» a um ecrã tem impactos negativos na nossa visão, danificando-a e limitando a nossa perceção visual, mesmo num espaço que é teoricamente, banhado a negro.

Os outros sentidos

A limitação visual permitiu apurar os restantes sentidos, e embora estivéssemos alertas a qualquer som que pudesse denunciar algum amigo curioso, os sons da floresta à noite são diferentes comparativamente ao regime diurno. A ausência da cantiga dos pássaros permitiu que vento sobre as folhas e as copas das árvores cantassem as suas canções. Fomos também assaltados por sons artificiais, mas não impediu que a sinfonia da natureza nos encantasse à sua maneira. Sem sobressaltos, estes sons convidaram a nossa mente a sintonizar com a natureza de forma…natural. Só no final do nosso banho é que nos fomos dando conta de alguns «caminhantes noturnos» pacíficos.

Se a melodia é diferente, também os odores e sabores o foram. O calor e o efeito do sol intensificam alguns cheiros, mas, mesmo assim fomos invadidos por odores familiares, outros talvez não tanto, uns mais dominantes que outros, mas ainda assim, uma panóplia bem interessante. Há medida que caminhávamos outros cheiros (assim como sons) iam ao nosso encontro. Estávamos a respirar profundo e pausadamente e deixámo-nos inundar por esses aromas que calcorreavam o caminho connosco. Foi interessante verificar o quão diferente os cheiros são, mesmo que num espaço que nos é familiar. Apenas variam entre o dia e a noite.

Um banho de floresta a caminhar sob a estrelas

Mas se o estímulo dos demais sentidos foi interessante, o do tato foi o que mais nos surpreendeu. O tato não é só o que mexemos com as mãos, mas também, o que sentimos com os pés. Atrás tínhamos referido que era possível vislumbrar muito tenuemente o que víamos à nossa volta, mas o mais incrível foi o que «vi-mos» com os pés. Se inicialmente a passada foi hesitante, gradualmente foi se tornando mais segura e confiante com aquilo que os nossos pés viam e sentiam, mesmo que no meio de um terreno irregular. Havia receio da nossa parte de algum acidente (p.e. uma entorse), mas o único que «patinou» (uma vez), foi o próprio guia. 

Por outro lado, foi excecional a forma como íamos caminhando, com os olhos virados para o céu, a vislumbrar a beleza do firmamento e de alguma estrela cadente (ou dos satélites da Space X que nós vimos). Em certos momentos parecia que eramos guiados pelos astros e os nossos pés caminhavam tranquilamente sem que fosse necessário olhar, sequer, onde pisávamos. Essa função de «ver» seria atribuída ao nosso próprio tato.

Deixamos o convite (para o próximo)!

A descrição parece que se tratou numa caminhada na floresta, mas foi muito mais que isso. Foi imergir na natureza noturna durante 2h30 em menos de um quilómetro de distância. Não foi a escuridão que nos «retardou», foram os nossos sentidos e as emoções que tiveram o palco principal. Foi o investimento do nosso tempo, em explorarmos, em aventurar-nos, em sair da nossa zona de conforto que nos impeliu a mergulhar na floresta, em algo que foi diferente para os/as participantes e para nós. Traduziu-se em aprendizagem e em conhecer (e reconhecer) as nossas capacidades, a nossa resiliência e no nosso fascínio pela natureza. Em todo o caso, o que experienciámos foi muito além do que foi aqui narrado…

Não nos alongamos muito mais…apenas deixamos o convite para que venham experienciar um banho de floresta noturno connosco. O próximo será em julho, no concelho do Sabugal, com local e data a definir. Mais uma vez, será uma experiência excecional e muito limitada para ti 😊

Junta-te a nós!

Blue Mind

Capa do livro de Wallace J. Nichols, «Blue Mind, how water makes you happier, more connected and better at what you do».

Blue Mind em cinco passos

Hoje vamos falar do conceito em torno de Blue Mind, expressão criada e popularizada por Wallace J. Nichols (daqui para a frente J.), biólogo marinho estado-unidense (o termo utilizado é mesmo escolha nossa) e autor do livro Blue Mind. How Water Makes You Happier, More Connected and Better at What You Do (a tradução será algo do género, como, «Blue Mind. Como é que a água te deixa mais feliz, mais ligado e melhor no que faz». A obra não tem edição em português).

De acordo com o autor, blue mind é «um estado levemente meditativo, caracterizado por serenidade, paz, unidade, e uma sensação de felicidade e de satisfação com a vida no presente». Existem alguns sites sobre o tema, ou, até mesmo, nas redes sociais. No que toca a nós, lemos o livro e ficámos fascinados e optámos por implementar esta filosofia nas nossas experiências. Desse modo, pretendemos que beneficies de todas as qualidades que a água te possa trazer.

Primeiro, gostaríamos de deixar claro que a água esteve na génese e encontra-se no ADN da Malcata Eco Experience. Eu (vamos falar na primeira pessoa do singular neste parágrafo), nasci e cresci na pequena cidade piscatória de Peniche, lugar que é atualmente reconhecido como «capital da onda» a nível nacional e internacional. Fui nadador-salvador e, de certo modo, estive sempre ligado ao mar. Eu – tal como tu – percebi que o contacto e a proximidade à água, neste caso, ao Atlântico, deixava-me mais leve e «purificado» ao sentir o odor, o sabor salgado do mar e as forças das ondas. Talvez seja essa a razão de qualquer um de nós fazer férias junto ao mar e, noutros cenários, em águas de interior, seja rios, lagos ou barragens.

O livro explora precisamente esse ponto, o prazer intuitivo e as emoções que a água nos transmite quando estamos junto dela. Podemos sofrer que hidrofobia (ou, aquafobia), não saber nadar, ou ter receio por «não vermos o fundo», mas deleitamo-nos com a estética, textura e o som da água, em contacto direto ou na sua proximidade, e, muitas das vezes, nem que seja apenas «molhar os pés». Além disso, estamos inteiramente dependentes da água para nos saciar.

Face a este quadro, J. Nichols intelectualiza e compila vários estudos científicos efetuados por diversos investigadores e aborda o tema através de discurso direto com alguns intervenientes sobre as potencialidades da água. Convidamos mergulhar um pouco mais sobre o assunto.

De red mind para blue mind, antes de grey mind

Seja pela descrição dada por J., seja pela nossa experiência pessoal, como referimos acima, sabemos que a água é um poderoso antidepressivo para o nosso estado de espírito, independentemente da forma como nos relacionamos com ela, basta estar presente (até mesmo numa imagem). Dessa forma, conseguimos estar muito mais focados no presente e saborear as sensações (geralmente agradáveis) que dançam e percorrem no nosso corpo. 

Contudo, isto são apenas sensações que não experienciamos regularmente, dependendo do meio em que vivemos (grandes centros urbanos), do trabalho que temos (sobretudo se geram stress), ou das relações pessoais que tenhamos (relações tóxicas, intimidação, perseguição, etc.). Estes aspetos individualmente, ou somados, provocam o que J. considera de red mind («mente vermelha») e que caracterizam o estado emocional do ser humano no século XXI.

A escolha da cor vermelha apenas assenta na forte relação e simbologia que a cor tem, nomeadamente, por se tratar de uma cor de alerta. Por outras palavras, entende-se a red mind por um «elevado estado de nervosismo, caracterizado por stress, ansiedade, medo e também um pouco de raiva e desespero».

J. descreve que este estado foi essencial para a espécie humana sobreviver e é relevante para medirmos alguns riscos e perigos que enfrentamos no quotidiano, isto é, se lutamos ou fugimos. Contudo, os acessos regulares a estes sentimentos têm um forte impacto no nosso cérebro e na neuroplasticidade «afetando processos de aprendizagem, dificuldade em reter informação ou em criar memórias», podendo originar stress crónico, ou burnout, ou seja, dá origem à grey mind («mente cinzenta»).

Os benefícios de Blue Mind

O acesso ao estado de blue mind é o «corte» que geralmente precisamos nas nossas rotinas e ótimo para evitar complicações para a nossa saúde e, consequentemente, a tratamentos dispendiosos. A água goza também de um enorme poder simbólico e ritualista. Basta pensarmos em cerimónias religiosas que usam a água como rituais de purificação. Isso algo que se estende desde os primórdios da humanidade e cujos registos históricos e arqueológicos o atestam. Mas podemos também pensar nos nossos rituais diários.

Muitos de nós começamos o dia com um duche para despertar e revigorar, ou finalizamos o nosso dia com um duche relaxante depois de um dia exaustivo. Um banho de imersão, por exemplo, é socialmente considerado uma prática de relaxamento elevado e um estereótipo cinematográfico, contudo, insustentável, seja pela quantidade de água utilizada, seja pelo custo a que fica tal prática.

Estudos comprovam que o acesso à água, na maior parte dos cenários (desde que não seja uma experiência stressante, como avistar uma barbatana dorsal no mar…será um tubarão, ou um golfinho?) ativa o sistema parassimpático e diminui drasticamente a produção de hormonas do stress, como a adrenalina e o cortisol e aumenta a endorfina e a dopamina.

Capacidade cognitiva e inteligência emocional

A água, além de ser o elemento natural mais dominante, é fonte de inúmeros trabalhos e tem impacto na economia de famílias, e de Estados a nível global. No entanto, é também um dos principais palcos para o romance. Um passeio junto a uma linha de água e na companhia de quem mais gostamos é o cenário que muitos de nós idealizamos e procuramos concretizar.

Com efeito, a água gera um efeito multiplicador comparativamente a qualquer outra paisagem. Se estudos demonstram que uma paisagem natural tem um efeito francamente positivo no nosso bem-estar e a nível emocional, uma paisagem com água (independentemente de ser em ambiente natural ou urbano), é cotada com pontuações mais elevadas, conforme sustenta J.

Os nossos sentidos desempenham um papel importante na nossa perceção do que está ao nosso redor, envolvendo-se com o mundo natural como um todo. O contacto com a natureza e, em particular, com a água, gera uma sensação de relaxamento, de felicidade, de profundidade, mas também a aptidão de nos focar no que realmente é importante e estimula a criatividade. Aliás, nas nossas experiências de banhos de floresta, trabalhamos esse último tópico de uma forma muito simples, mas que demonstra isso mesmo (e com excelentes resultados junto do público feminino).

Esta relação ganha um efeito multiplicador se aguçarmos a nossa parte sensorial. A observação atenta do movimento da água, gera mais que o sentimento de alegria; por outro lado, sentir os aromas que liberta (exato, a água tem odor, por mais subtil que seja), e o seu paladar, ou criar uma experiência sensorial em torno destes dois sentidos – intrinsecamente ligados, podem fazer disparar emoções fortes e/ou memórias associadas, além de saciar a nossa sede, gerando um efeito revitalizante. Ou, o simples ato de escutar o borburinho da água, como se comunicasse connosco e cada nota emitida possuísse um significado próprio que nos conduz ao nosso bem-estar. O tato tem também um papel fundamental, o simples movimentar dentro de água cria uma sensação de leveza. Sendo o nosso corpo constituído por cerca de 70% de água, a nossa densidade é muito semelhante ao H2O e isso leva-nos também a outro patamar, com mais implicações no nosso cérebro e nas emoções que experienciamos.

O poder da flutuabilidade

J. trabalha este tópico e aborda os tanques de flutuação, cujos efeitos levam à evolução gradual «do estado de desperto, para “relaxamento desperto” e, em última caso, para um estado de consciência meditativa profunda, semelhante ao momento entre o estar acordado e adormecer». Isto ocorre num tanque de flutuação, mas no mar (devido à salinidade) ou em águas de interior, o efeito pode ser replicado.

O autor escreve que a investigação sobre este tema tem sido desenvolvida como tratamento para ajudar executivos de empresas expostos a situações de stress e de quase-burnout, autistas, pessoas com Perturbação de Stress Pós-Traumático, depressão ou dor física relacionada com o stress emocional, e com resultados positivos.

Na Malcata Eco Experience procuramos aplicar o princípio da «flutuação» como meio de bem-estar, seja nos nossos «eco tours» de Stand Up Paddle ou nos banhos de floresta (sempre que haja condições para tal), utilizando pranchas de paddleboarding, para simular o efeito de flutuação. Embora seja uma plataforma dura, o movimento e o som produzido pela à água à nossa volta tem um efeito profundamente relaxante com feedback positivo.

Duas pranchas em água, num rio, e com duas pessoas deitadas, cada uma a ocupar uma prancha

A flutuabilidade e eu

Voltando à primeira pessoa, recordo-me da sensação e das experiências de flutuar no mar ou sentir o doce embalar da ondulação. Era um momento em que o meu corpo descontraía totalmente e simultaneamente ficava atento ao som do mar (pois os ouvidos ficam submersos). Era das coisas que mais gostava de fazer. Enquanto atividade em mar, sempre gostei de nadar e de fazer bodysurf (pesquisem e vejam o que é possível fazer com o poder da flutuabilidade do corpo humano). Quando praticava bodysurf, por vezes punha-me a flutuar enquanto esperava o set ou quando queria descansar, e sentia o efeito de nulidade total, com o meu corpo a dissolver-se na água e, com ele, os meus pensamentos. São das sensações que mais gosto de experienciar e praticava várias vezes em criança, nomeadamente na variante mais radical, que na altura se chamava «apanhar carreirinhas» em vez de bodysurf.

A Blue Mind Experience

Deves estar a questionar-te, «e como é que posso ter experiências “blue mind”?» Parece difícil, mas na verdade não o é; senão, vejamos. Que atividades conheces que promovam o contacto com a água. Seguramente, que imaginas as tuas férias de verão junto a linhas de água – seja no litoral, ou em águas de interior. Em ambos os cenários existem experiências que podes praticar como o surf, stand up paddle, kayak ou mergulho, fazeres passeios junto a linhas de água, ou, até mesmo, próximo a fontes ou rios em jardins urbanos. Podes nadar em águas abertas ou pescar; ambas são experiências blue mind e todos, inclusive as atividades mencionadas acima, são benéficas para a tua saúde.

Estamos a falar de atividades de lazer. Existem ainda os/as profissionais ligados/as às indústrias da água (por exemplo, pesca industrial, nadadores-salvadores, autoridades marítimas, profissionais de turismo aquático, entre outros). J. afirma: «desportos aquáticos e carreiras profissionais ligadas à água, produzem melhores reações químicas no cérebro e conferem benefícios terapêuticos semelhantes em os corpos saudáveis ou com incapacidades (emocionais, genéticas, experimentais e ambientais).

Se estás verdadeiramente interessado ou interessada em experiências blue mind, podes sempre conferir as nossas páginas de experiências e ver a que mais te agrada!

Homem em cima de prancha de paddleboarding, a expressar felicidade, enquanto pratica Stand Up Paddle

Proteger a água

Face a tudo o que foi exposto, sobre os benefícios que a água nos oferece, sem dúvida que cresce dentro de ti a vontade de a salvaguardar para que as gerações futuras continuem a ter acesso a água limpa e potável. É um mero gesto de retribuição. Aliás, a assembleia geral da Organização das Nações Unidas declarou, em 2010, que o acesso «a água segura e potável é um direito humano essencial para total usufruto da vida».

Segundo fonte da ONU, é credível que cerca de 2,6 biliões de pessoas não têm acesso a serviço de saneamento básico e que 1,5 milhões de crianças morram – anualmente – antes de completar os cinco anos de idade, por falta de água potável (cf. ONU diz que acesso à agua potável é direito humano | ONU News). Além disso, o acesso à água promove igualdade de género no acesso ao ensino, com as crianças do sexo feminino a serem penalizadas pela carestia de água, em estudo publicado por Catarina Albuquerque (cf. Acesso a água potável aumenta participação escolar de raparigas | ONU News). Quem não se recordará da história de familiares mais velhos, em que eram as mulheres e as raparigas que iam à fonte buscar à água? Parece estranho em pleno século XXI, mas seguramente já percebeste que vivemos num mundo assimétrico.

Muito poderia ser dito sobre formas de proteger a água, desde hábitos do nosso quotidiano, até a uma atuação mais educacional e ativista. Existem vários documentários que ajudaram a ter uma visão holística sobre o assunto, como «Admirável Mundo Azul, a Crise da Água», «Mulheres que salvam o oceano», «Seaspiricy» ou «A Plastic Ocean» (a maior parte, em canais de streaming). Para os mais novos (e também para graúdos), preparem uma sala de cinema para filmes de Studio Ghibli, como «Nausicaa», «Pom Poko», ou a «Princesa Mononoke», mas sugerimos também outros lindíssimos filmes, como «A viagem de Chihiro», «Memórias de ontem», para verdadeiras lições ambientais xintoístas.

Por fim, documentários sobre Jacques-Yves Cousteau também são fascinantes. Terminamos com uma citação do oceanógrafo «nós protegemos o que amamos» (e muitas vezes citadas por J. na sua obra), e, sem dúvida que todos nós amamos o nosso planeta azul…

O que achaste do nosso artigo? Foi um pouco exaustivo 😅 mas esperamos que te deixe mais próximo/a e familiarizado/a com o conceito de Blue Mind. Comenta ou entra em contacto connosco para qualquer dúvida!

Slow tourism – o que é e porque o promovemos

O conceito de «slow tourism»

Se já viste a nossa apresentação no nosso website ou em outros websites como do Município de Penamacor, iNature, em Visit Portugal, entre outros, terás seguramente reparado que temos o conceito de slow tourism nos nossos valores e na nossa apresentação:

«a Malcata Eco Experience emerge na esteira do slow tourism, do turismo de consciencialização e turismo sustentável (…)»

Hoje trazemos-te a definição de slow tourism e qual a razão de o promovermos.

As palavras slow tourism poderiam ser traduzidas por «turismo lento», no entanto, a expressão não deixa antever a sua verdadeira natureza. É algo que alguns têm dificuldade em descrever, trata-se de um conceito ainda algo abstrato, mas cujo princípio é fascinante…tão fascinante que ficámos fãs! Aliás, um facto curioso é que, possivelmente, o slow tourism estará conectado ao conceito de slow food («comida lenta»), ou seja, a experiência gastronómica em torno da tradição e da comida “real”, em contraste com fast food. Mas, vamos explorar o conceito.

De acordo com os dados, aquilo que pode ser descrito como slow tourism tem assumido uma tendência crescente nos últimos anos. Este modus operandis de fazer turismo ganhou particular impulso durante o período da pandemia COVID-19, com muitos de nós a procurarmos destinos alternativos em contraposição com destinos massificados. Temos, portanto, a primeira grande distinção do slow tourism; este é contrário ao turismo de massas e das grandes afluências e dos destinos clichés. Em Portugal, muitos deixaram de ver o litoral como destino «exclusivo» de férias durante o período do verão e procuraram os territórios do interior, mais desertificados, mas cheios em paisagens naturais verdejantes que inspiram realmente ao sossego «…na era de ruído», numa alusão ao livro de Erling Kagge. Além disso, as praias fluviais ou outros troços de rios e ribeiros tornaram-se pequenos tesouros que muitos fizeram questão de ir à sua descoberta.

Uma leitura à lupa

Outro conceito-chave do slow tourism é que é «baseado em experiências», isto é, mais do que visitar um local, o individuo, a família, ou grupo de amigos, sentem a necessidade de explorar e de conhecer, de ir em busca do detalhe. Para nós, os detalhes são a beleza de uma paisagem e vale a pena olharmos com curiosidade com o que nos rodeia; por vezes encontramos surpresas agradáveis. As pessoas procuram experiências de valor acrescentado, que sejam diferentes, que se distingam e que, acima de tudo, promovam bem-estar e também, poderíamos sugerir, o detox digital.

O slow tourism é um conceito em torno do enraizamento, de viajar para um local e/ou região e ter a habilidade e a curiosidade de explorar sem simplesmente ansiar por visitar o maior número de locais possíveis, numa passagem fugaz, de ver, mas sem absorver o que realmente se encontra à volta. As pessoas procuram, cada vez mais, ligações e experiências genuínas, de criarem memórias com valor real e que as ligue ao local em que se encontram. Provavelmente, tu próprio/a sentes isso quando procuras um local de férias. Há uma importância crescente em torno do elo emocional entre as pessoas, a cultura, as tradições e o local.

Outros pontos poderiam ser acrescentados, mas não é um conceito fascinante?

E para a Malcata Eco Experience?

Na Malcata Eco Experience, mais do que «caçar» paisagens, pretendemos que cries um vínculo emocional ao território, que tenhas a lembrança do detalhe que te irá inspirar todos os dias. Nos nossos banhos de floresta apelamos à tua curiosidade para que possas explorar sensorialmente o que se encontra à tua volta. Se achas que a floresta é apenas verde, procura quantos «verdes» consegues contar!

Nos nossos circuitos culturais também procuramos ter um papel didático em torno de temas reais – seja na construção do poder local, seja na presença dos judeus sefarditas e cristãos-novos, nas localidades em que atuamos. Queremos que leves histórias genuínas e que olhes – com outro olhar – para as tradições e as gentes do passado e do presente e, acima de tudo, que desfrutes de ótimas experiências…sem andares a correr atrás delas!

O que achaste do nosso tema de hoje? Não hesites em comentar, em expôr as tuas dúvidas ou a partilhar com família ou amigos.

10 motivos para aderires ao Stand Up Paddle

O Stand Up Paddle (SUP) é uma atividade náutica em clara ascensão na atualidade, e percebe-se porquê. Os equipamentos disponibilizados em algumas empresas retalhistas estão cada vez mais acessíveis e a modalidade pode ser praticada em águas marítimas e águas de interior. É o chamado dois em um.

O mês de abril inaugura a época dos desportos náuticos, mas é apenas no mês de maio que os/as marinheiros/marinheiras menos tolerantes ao frio veem as condições atmosféricas a convidarem para as praias ou linhas de água. Além disso, vão objetivamente em «lazer». No que toca a nós, praticamos SUP o ano interior desde que não haja ventos ciclónicos (é, no mínimo, desafiante). Os motivos para não nos rendermos ao frio é porque reconhecemos os benefícios em torno de uma experiência de Stand Up Paddle.

As origens

A História atribui a prática de Ku Hoe He’e Nalu («colocar-se de pé, navegar uma onda»), em idioma havaiano, para a génese do SUP.  Crê-se que a sua origem seja diversa: fosse praticado por tribos africanas ou sul americanas e, possivelmente, como ferramenta dos povos que colonizaram gradualmente as ilhas do Pacífico (podem aprofundar um pouco mais sobre o assunto no artigo publicado online da SUP World Magazine). No entanto, é possível que além de meio de locomoção, tenha tido também um papel lúdico e terapêutico.

O Stand Up Paddle moderno é uma adaptação dessas mesmas tradições, cuja história remonta sensivelmente, ao início da 2ª metade do século XX. O que passou por ser uma questão prática dos Beach Boys da praia Waikiki, face à verticalidade que outros desportos, como o surf, não oferecem a não ser na onda, passou a ser adotado como complemento ao surf, mas também como uma prática que mereceu, cada vez mais, uma maior atenção perante as suas potencialidades desportivas e as virtudes terapêuticas.

Sobre o último ponto mencionado, quem pratica desportos aquáticos, seja SUP, surf, bodysurf ou bodyboard, entre outros, não consegue ficar indiferente ao efeito que a prática produz em vários aspetos. Por um lado, há o estímulo físico, mas por outro – e muito mais profundo – é o efeito sobre o nosso cérebro, que se funde com aquisição de competências cognitivas, intrapessoais e de uma mente mais calma e relaxada, entre outras sensações difíceis de descrever

Os benefícios estão diretamente relacionados do nosso contacto com a água. A água é um poderoso elemento natural e está presente na cultura humana em inúmeros atos solenes, seja de limpeza da alma, purificação ou de renovação. Por outro, também oferece possibilidade de nos afastarmos de ruídos de multidões ou artificiais, na «cacofonia do mundo moderno» (smartphone, automóveis, meios de comunicação) – água e tecnologia ainda são, em parte, incompatíveis, e o contacto direto com a natureza, que nos garante paz, harmonia, bem-estar e podermos dedicar-nos a nós mesmos. Desta forma criasse condições para o que se designa de green room (ou, «sala verde»), ou como é muitas vezes descrito «o espaço favorito de qualquer surfista».

Dentro da perspetiva, nós optamos por gerar as nossas experiências em torno da filosofia «blue mind» (que iremos abordar no nosso blogue um dia destes). Independentemente da «cor», todas elas são apanágio das virtudes que esta prática gera na nossa psyche (termo grego que significa «alma», «espírito», embora não na conceção cristã). De seguida apresentamos dez motivos para praticares Stand Up Paddle.

Dez motivos para aprenderes Stand Up Paddle

Como irás perceber, todos os pontos estão interligados. Começamos com os cinco primeiros pontos, que representam, sobretudo, os benefícios físicos, e os restantes como elementos terapêuticos para a alma e para o desenvolvimento de estados de espírito positivos.

1. Promove boa postura – higiene postural

Este motivo só é evidente se aprenderes a remar bem e ajustar a postura à remada e à forma de te equilibrares sobre a board. Se começas a criar «maus vícios», não terás os benefícios da prática;

2. Melhoria cardiorrespiratória

A prática de atividade física regular, aliada a uma vida saudável, são as principais ferramentas para melhorarmos o nosso funcionamento interno. Uma boa postura na remada permitirá que retires partido da componente física.

3. Tonifica os músculos

Há semelhança dos pontos anteriores, este ponto só resulta se executares corretamente os pontos já mencionados, uma vez que trabalha toda a estrutura muscular do corpo e, particularmente, a zona abdominal (core).

4. Equilíbrio

O equilíbrio é um elemento-chave na experiência de SUP, contudo, não te sintas intimidad@ se achas que é um ponto desfavorável. Existem técnicas que permitem que ganhes confiança em cima da board – uma postura de «montanha», de peito aberto para mergulhares na experiência e descontraída. Ultrapassando esta fase, conseguirás caminhar com mais confiança para os passos anteriores. Contudo, lembra-te, evita criar maus vícios logo de início.

5. Resiliência

Tendemos a relacionar o Stand Up Paddle com atividade física. Efetivamente, é. Contudo, também é de superação de barreiras mentais, identificar as nossas fraquezas e pontos fortes. Abrir o coração aos desafios e o SUP permite fazer-te isso e sem barreiras! «Caminhas» sobre a água, tens uma visão privilegiada de 360 graus ao teu redor, combater receios, fobias e a procrastinação, tornar-te criativo… adquirires o teu ponto de equilíbrio, o teu Yin e Yang!

6. Reduz o stress

…e a fadiga muscular. Algumas razões que já apontámos são exemplos suficientes para reduzir os níveis de cortisol, e quebrar o estímulo do sistema parassimpático, isto é, estares em estado permanente de alerta e de multitasking, em contante red mind (termo que trabalharemos num artigo posterior relacionado com o blue mind). Mas, aliarmos a concentração do esforço físico aos estímulos sensoriais e emocionais, como os tópicos que iremos abordar de seguida, têm um impacto significativamente positivo no nosso cérebro e na nossa resposta a situações divergentes que enfrentamos no nosso quotidiano.

7. Estímulo sensorial

O estímulo sensorial tem um papel importante na nossa relação com o meio em que nos encontramos. Além disso permite descobrir novas sensações e experienciá-las, ou, por vezes, são velhas sensibilidades guardadas no baú da nossa memória, dos novos tempos de infância e adolescência, na nossa ânsia de sabedoria sobre o mundo à nossa volta. Talvez o nosso aparato sensorial esteja tão entorpecido que resistimos aos estímulos naturais. O Stand Up Paddle permite-te restabelecer esses elos.

8. Contacto com a água

A relação com a água pode ter várias designações – talassoterapia, aquaterapia, blue mind, entre outros – todas elas são válidas. A perceção de movimento, o som que emite, sentir a textura no contacto, a sua «cor», o reflexo do ambiente à sua volta…tudo isto são elementos multiplicadores de uma sensação de bem-estar e de tranquilidade. Imagina-te no meio de um espelho de água, em águas de interior, com todo o borborinho e sinfonia da natureza, a remar, sentado ou deitado na board, e deliciares-te com todos estes estímulos! Ou então em espaço marítimo, ao largo da costa, após a zona de rebentação, e sentir o embalo das ondas! Há sensações simplesmente indescritíveis e, no entanto, sabemos que cada experiência é positivamente diferente e sabemos onde voltar. Sobre este assunto, trabalharemos num futuro post.

9. Aditivo saudável

Há dependências negativas, neste caso o Stand Up Paddle oferece exatamente o oposto, um aditivo saudável que seja bom para ti, na prática com amigos e amigas, em família, enfim, é terapia na relação interpessoal. Na nossa opinião, é um vício que vale a pena estimular.

10. Soul surfer

Este tópico relaciona-se com a preocupação que qualquer praticante, seja em lazer, em competição ou em contexto terapêutico, tem para com o ambiente, em salvaguardar o espaço, alertando para a necessidade de mantê-lo limpo e convidar outros a fazer o mesmo. Nós vamos para a natureza, porque sentimos a carência da vitamina N (ou seja, Natureza), porque nos sentimos bem nesse ambiente, nem que seja para repor a energia em contexto de férias (é um exemplo 99% infalível). Contudo, é de extrema importância que, se «retiramos» benefícios dela, temos a obrigação cívica e moral de a honrar e de respeitar quem está à volta. Não implica apenas a sujidade, mas também a poluição sonora que interfere com todos os seres vivos que estão à volta. Outros podem não se importar, mas um soul surfer é um agente ativo e proativo nesta missão sem esperar nada em troca. Aliás, se é o nosso espaço de conforto, por que razão achamos nós que temos o direito de o arruinar?

Bem, e chegámos ao fim. Sentimos que os nossos artigos poderiam ter sempre muito mais por «dizer», porém, queremos torná-los acessíveis e de fácil leitura a todos/todas.

O que achaste do nosso artigo? Não hesites em comentar ou deixar uma crítica. Por outro lançamos o desafio de teres uma experiência de Stand Up Paddle connosco. Estás pronto?!

Acede à nossa página das Experiências: https://malcataecoexperience.com/pt_pt/experiencias/

Esperamos por ti!

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